Porque grandes garotas não choram. Elas escrevem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não sei explicar exatamente o porque, mas ontem foi um daqueles dias em que você percebe que as coisas valem a pena.
Confesso que aconteceu uma coisa muito ruim ontem. Mas, fazer o que, não é!? Situações ruins acontecem e eu não me arrependo de ter tentado. Eu precisava saber, eu precisava passar por isso para tomar uma decisão.
Minha mãe diz que eu tenho mania de me arriscar, mania de sofrer, de fazer coisas das quais eu sei que sairei machucada. Mas por que não fazer? Ainda que doa por um momento ou dois, as feridas cicatrizam, a dor passa e nada, nada, nem o sofrimento dura pra sempre.
Como meus amigos dizem: "Eu supero rápido". Então, embora tenha ido dormir esta noite com um peso no meu coração, hoje acordei leve, agradecendo ao Papai do Céu por meu dia ontem. Pela coragem que eu tive de tentar mais uma vez, pela manhã maravilhosa com minha mãe e meu irmão, pela animada tarde com a minha melhor amiga e pela ótima noite com uma pessoa muito especial.
Deus coloca anjos no meu caminho todos os dias. São eles quem eu devo manter por perto! São eles, somente eles que realmente importam.
Obrigada, Papai! Obrigada, meus anjos!

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I'm lost for her

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ela definitivamente não gosta que troquem seu nome. Ou chame-a pelo nome correto ou é melhor nem chamar.
Peça para ela ser simpática, otimista e delicada. Peça para ela ser um anjo, principalmente logo que acorda, quando tem a voz doce e carinhosa de um. Peça para ela ser tudo, e quando ela mostrar o tudo que ela pode ser, acredite, ela não vai decepcionar. Mas não peça para ela ser monótona. Monotonia não é com ela. Muito pelo o contrário. Ela traz em si mesma a inconstância, o dinamismo, a dualidade de ter inocência e de provocar desejo. E seus lábios, seus olhos, seus olhares são tão apaixonantes, estonteantes, inebriantes que, quando me atento, já me perdi. E sim, estou perdido. Ou melhor, apaixonado. Ou pior, não sei. Acho que as duas palavras se completam.

Quando me perco é porque estou apaixonado. Quando me apaixono é porque já me perdi faz tempo.

Raomi Pani
http://liberdadeparaerrar.blogspot.com
Visitem! Vale a pena!

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Vai passar

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...

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Quer saber quem escreveu esse texto?


Caio Fernando Loureiro de Abreu
(Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista, dramaturgo, escritor brasileiro. Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".

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"É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los"

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